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Eu só quero amar... e todo mundo também!

Uma semaninha de férias. Foi essa a frase que ouvi saindo da boca de Chagdud Khadro para mim após uma reunião sobre detalhes de trabalho. Eu não estava esperando férias na atual conjuntura de trabalho da qual estou, mas não neguei que fiquei muito feliz por esta decisão. E se ela me "mandou" sair de férias agora é porque vem turbulência mais para o fim do ano. Pois bem, arrumei a mala e me mandei pra Porto Alegre, tchau!
Capital é algo delicioso pra mim, todo aquele gás carbônico no ar, asfalto quente, o barulho soa aos meus ouvidos como música. Sou muito urbano, confesso e não nego. Adoro a cidade grande, os atrativos e o leque de opções de entretenimento que ela proporciona, apesar de Porto Alegre não ter um leque assim tão grande.
Bom, depois de um dia de molho em casa por motivo de adaptação, já que sair de uma energia "Yin" e cair na turbulência de uma "Yang" é cansativo e precisa-se de um tempo para se recompor, fui encontrar amigos. O que eu notei é que a cada esquina que passava, cada pessoa que encontrava eu via problemas de uma relação mal resolvida ou complicada nos ohos de cada um.
Amigos, amigos de amigos, conhecidos, estranhos... é impressionante com
o dependemos de uma relação em nossas vidas. Em todo lugar que passava (acho que ando muito suscetível a isso) eu percebia que em certo ponto da conversa ou por um fio dela que entrava em meu ouvido eu escutava algo relacionado a questões amorosas de uma forma triste ou engasgada. Tudo anda tão agitado, barulhento. As pessoas andam cada vez mais independentes... Será?!
Pod
e ser que a independência financeira, a carreira bem sucedida seja algo maravilhoso, excelente. É uma vitória nos tempos de degenerescência e mercado competitivo que nos consome junto com a globalização. Mas tudo tem seu preço e eu acho o preço do momento é o lado afetivo de nós, vós, eles que acaba por nos afastar uns dos outros. Sempre existe um "Q" de melancolia e assuntos mal resolvidos quando cutucamos na palavra amor. Acho que a sociedade anda carente, carente por viver mais as pequenas coisas da vida, saborear o que é saboroso como o sentimento do amor que por sinal está se tornando caro, como o arroz que se compra no supermercado e que está a cada dia mais inflacionado. Acho que o amor inflacionou faz tempo e só quem consegue segurar esse "luxo" é quem tem mérito (mérito de outras vidas), quando lá atrás se plantou essa semente e agora colhe os frutos suculentos depois de um cuidadoso e longo período de safra.
E o mais curioso é que o que compramos nas esquinas e em tudo o que vemos e escutamos é a vinheta do amor perfeito, o lema do amor ideal e completamente "felizes para sempre". Cara, isso dá um nó na mente, pois há um conflito com o que é passado e com o que é mostrado. Você sonha, idealiza o que é mais possível (ou impossível) em um romance, mas se depara com o que nunca é mostrado e sim escondido - os problemas. Todos nós temos problemas e o maior deles e que acarreta os outros é ver e só ver o umbiguinho meu de cada dia. Ninguém quer cuidar, mas todo mundo quer ser cuidado, assim eu acho que fica difícil né? Eu também sou assim e sei o quanto é difícil, aliás está cada vez mais difícil mas acho que vale mais a pena cuidar do que ser cuidado e assim tentar plantar aquela sementinha para que no futuro ela germine e assim cresça e gere os frutos e devemos colocar a mão na massa logo, pois a cada momento está ficando pior e tende a piorar a cada minuto.
Vamos lá, eu só quero amar e você, não?!
Então "filho", pega a pá que eu semeio.



Tsering!