Novos rumos



Tomar rumos novos quando tudo aparentemente está calmo e tranquilo é muito difícil.
Principalmente quando este rumo novo vem como uma faca afiada cortando um bloco de manteiga. Tudo aquilo que podemos planejar e organizar sai do controle.
Só assim mesmo para vermos mais profundamente o apego que sentimos sobre tudo... parece que a atmosfera que vivenciamos começa a se dissipar, vai perdendo espaço e a gente se sente realmente "destelhado".
Mudança é difícil, em vários níveis de nossas vidas, mas é preciso encará-las para crescermos como pessoas.

Tsering!

Guru Ioga


É difícil para quem não é budista (tibetano vajraiana) entender o que Guru Ioga realmente quer dizer. Muitos quando ouvem uma explicação breve interpretam como sendo algo que deve ser feito apenas porque seu Lama (professor) manda você fazer isso ou aquilo, outros simplesmente não entendem mesmo.
Bom, eu poderia dar uma explicação breve e relativa do que isso realmente quer dizer, mas não sou capaz, muito menos autorizado a fazer. Então vou contar o que senti e o que me deu inspiração a escrever este artigo.
Muitas coisas acontecem nas nossas vidas, umas boas, outras nem tanto. Muitas coisas em que nos apegamos ou que rejeitamos e que insistimos a querer ou a dizer não. Somos teimosos e não damos atenção ao que nos é dito como um conselho, uma dica, um toque sutil sobre o que devemos ou não fazer quando nosso apego está tomando "conta do pedaço". Pior que isso é quando este toque, esta dica, vem de um professor qualificado e cheio de sabedoria. Ele ou ela, com seu amor e compaixão maiores que de uma mãe amorosa para com seu filho nos avisa, nos pergunta, nos dá a atenção devida e nos orienta sobre uma situação em que ele ou ela vêem que nós como seres humanos, podemos nos machucar. E nós, mesmo com toda a imensa bondade e ajuda pensamos: "Não, vai dar certo desta vez" ou "ah desta vez vai funcionar sim" e pronto, mergulhamos nos nossos desejos e deixamos a roda girar nos dragando pra dentro como mosquitinhos sendo sugados pelo ventilador.
E adivinhe, claro que deu errado, claro que as coisas não funcionaram da forma em que almejamos. Nossas expectativas são lavradas pelo trator da frustração e ficamos em pedaços, chorando pelas nossas perdas.
Ao voltar ao Lama para pelo menos dar um "oi" com o rabinho por entre as pernas, nós tentamos olhar em seus olhos com vergonha e timidez por mais uma vez não confiar em sua sabedoria e, ao fixar seus olhos com os dele(a), temos novamente o mesmo amor, compaixão, carinho e a sabedoria que jamais... jamais se desfez por entre seu sorriso e expressão de bondade que cerca sua busca pela liberação dos seres neste samsara cruel.

Lição que aprendi: Não importa o que aconteça, o que fazemos de errado. Podemos virar o mundo do avesso com nossos apegos, mas no final, o que realmente fica são as bênçãos do Lama, do Dharma. Porque de resto, nada dura.


Tsering!

Encarando as próprias dificuldades


Muitas vezes nos escondemos, fugimos, corremos para longe de situações que insistem em permanecer em nosso calcanhar. Sentimos aquele enjoo, desespero ao lembrar-se de uma questão mal resolvida ou que nem tentamos resolver. Mas será que fugir é o melhor negócio?

Confesso a vocês meus leitores queridos que, por muitos anos eu fugi de várias situações que pudessem me fazer ver realmente de frente as coisas nuas e cruas que eu nunca quis encarar. Mas chegou um ponto em que tudo se tornou insustentável, amargo e terrivelmente ameaçador e enfrentar a situação tornou-se a única saída.

Aprender a andar com as próprias pernas e a criar uma estrutura emocional e física foi dois dos vários quesitos dos quais sempre tive dificuldade. Sempre precisei de uma escora física e emocional para que eu pudesse me sentir seguro, adulto, estável. De repente me vi em uma situação em que por mais suporte que eu tivesse, eu (e só eu!) precisava correr atrás de tudo, mas tudo mesmo (casa, trabalho, dinheiro...) e sem escoras físicas e principalmente sem as escoras emocionais para sustentar meus caprichos mundanos de carência.

Ver-me sozinho, sem ter alguém ao meu lado que pudesse me consolar ou simplesmente passar a mão na minha cabeça no fim de um dia difícil foi, em primeira instância, a morte. Olhar-me no espelho e encarar o meu próprio olhar, sentindo a verdade na expressão deles mesmo querendo esconder de mim mesmo que eu poderia ser forte e que, estar sozinho era a melhor saída era desestabilizador e as minhas pernas ficavam bambas. O choro tomava conta de mim no fim de tudo, sentindo-me uma criança abandonada.

Andando nas ruas da cidade eu olho para as pessoas em seus passos apressados, olho para seus olhos e fico me perguntando e pensando em como os outros encaram esses medos desconcertantes que carregamos como um fruto de ações passadas. E assistindo aos meus pensamentos em relação aos outros eu fico ainda mais triste ao perceber que todos nós carregamos uma carga tão pesada desses medos e o pior, que não temos ferramentas para lidar com tudo isso com um pouco de sabedoria sensata.

Por mais doloroso que o processo seja, eu confesso que tem sido a melhor forma para eu aprender a lidar com meu próprio amadurecimento, para meu próprio fortalecimento. Minhas escolhas acabaram tornando-se cada vez mais claras e meu senso prático mais aguçado.

As pedras e os percalços continuam surgindo, momento a momento, e não são fáceis. Sei que terei que encará-los um a um, engolindo um sapo por dia enquanto encaro meu olhar no espelho ao lavar as lágrimas de mais uma dificuldade aparente. Mas sei que é para uma boa causa.

Para meu próprio crescimento.

Tsering!

Rompendo com suas próprias barreiras


Nós temos tantos hábitos, coisas da qual nós nos acostumamos a fazer repetidas vezes que acabam por criar um rótulo próprio. Acabam por nos rotular completamente. Muitas vezes estes próprios hábitos estão muito bem camuflados que não nos damos conta dele racionalmente. Outros por si só se mostram muito bem, como certas qualidades que podem ser um hábito recolhido e repaginado.
Estes hábitos nada mais são que apegos ou aversões que levamos por toda a vida. Nos sentimos muito confortáveis com o que temos em nossa volta, ou completamente inconformados com o temos que, quando isso nos toca no fundo, nos deixam completamente abalados, desestruturados, perdidos.
Quando somos forçados a fazer alguma coisa que, por hábito, não queremos. Isto toma uma forma imensa, incomensurável, nos desmonta e ficamos "sozinhos".
Aí entra o nosso herói interno. Não estou falando a nível de ego, muito menos de rasgarmos a camisa e expôr-mos o símbolo "S" que se encontra no peito, mas sim, tirar lá de dentro a energia de cura que todos nós temos para agir e reagir às estruturas que desmoronam sobre a nossa cabeça.
Este herói nada mais é do que nossa força interna, uma energia vital que todos possuem lá dentro. Ela pode ser Buda, Jesus, Deus ou o que quer que você acredite ou tenha fé. Mas o importante é saber que todos nós a temos, independente do que nós encontramos pela frente.
Essa energia vibrante que em geral nós deixamos muito bem escondidas, às vezes até tentamos apagá-la, serve para que nós consigamos romper com as nossas próprias barreiras, que nós possamos usar o último resquício de força para desmontar o paredão habitual que carregamos por toda a vida e que a cada minuto nós acrescentamos um tijolo à ele. Através da demolição do muro podemos ver além, ter a experiência do amadurecimento e até da sabedoria.
Estes hábitos podem vir de vidas passadas e estar muito bem arraigados dentro de cada um de nós... mas com certeza a energia vibrante do seu guerreiro é mais forte e se você buscá-la lá dentro e trazê-la à tona, com certeza não haverá fundação suficiente para segurar este muro.



Tsering!